sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Você se apaixonaria pelo seu computador?

Se parou alguns instantes para pensar, não se preocupe, pois a humanidade parece mesmo caminhar para isso. Antes de maneira lenta e gradual, a relação do homem com a máquina (leia-se rádio, TV, telefone...) ganhou impulso com o surgimento dos computadores, celulares e, mais do que isso, a tal 'mobilidade'.

E é em nome desta chance de andar e se conectar ao mesmo tempo que temos visto, cada vez mais, um exércio de homens e mulheres, crianças, jovens e adultos, todos perambulando pelas ruas de cabeça baixa, olhos vidrados numa telinha de seus cinco por dez centímetros. Solitários, fazendo sabe-se lá o que com aquele aparelhinho grudado nas mãos ou dentro dos ouvidos. Gente como Theodore, o homem que se apaixonou por seu computador.

No filme "Ela", Theodore (Joaquin Phoenix) é um adulto como eu e você, um escritor que vive de redigir cartas pessoais em nome de terceiros, um cara que evita o quanto pode assinar a papelada do seu divórcio, que vive conectado, seja para ouvir música melancólica, seja para fazer sexo virtual, e que, de repente, encontra a "mulher da sua vida" personificada num sistema operacional de última geração com uma sensual voz feminina.

Bem, não seria nada difícil se apaixonar por ondas sonoras quando a voz que sussurra em seus ouvidos é da Scarlett Johansson.

https://www.facebook.com/cinepolisbrasil?fref=ts

Em pouco mais de duas horas de filme, o diretor Spike Jonze (do não menos melancólico "Onde Vivem os Monstros") consegue mostrar um lado mais do que triste da época em que estamos vivendo. Uma época em que os relacionamentos se resumem a redes sociais e aparelhos de última geração. Um mundo que tinha tudo para parecer perfeito, mas sofre dos mesmos males, que tem espaço para tudo, até mesmo para desilusões amorosas entre um homem e uma máquina.

Depois de assistir "Ela", você nunca mais olhará para o exército de conectados pelas ruas da mesma forma. Afinal, em menor ou maior grau, todos somos um pouco Theodore nesta vida. (Angelo Davanço)


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